top of page

15 INVERDADES SOBRE A IDADE MÉDIA

Atualizado: 2 de abr.


 Sir Lancelot estrangulando um dragão - releitura feita por daughterofdon
Sir Lancelot e os dragões - Autor desconhecido - Domínio público

As pessoas tem uma ideia muito errada sobre a Idade Média, ainda é possível ver postagens retratando ou se referindo a Idade Média como "Idade das Trevas", entre as descrições é possível ler que tratam como um período de ignorância, crueldade, sem sofisticação, existem ainda aqueles que falam que foi um período que "não bebiam água" e que achavam que a "Terra era Plana".


Então para tirar essas dúvidas e erros, aqui está uma lista de 15 equívocos mais comuns sobre a Idade Média.


I - Eles Pensavam que a Terra era Plana?


Um equívoco comum que se repete ainda hoje é a crença de que as pessoas na Idade Média pensavam que a Terra era plana. Em contraste com essa compreensão moderna, não há nenhuma crença séria registrada em uma Terra plana durante a Idade Média. Já no século VI a.C, os cientistas gregos determinaram com sucesso a forma do nosso planeta, bem como calcularam quase exatamente a circunferência da Terra muito antes do início da Era Cristã. Na Idade Média, isso era de conhecimento comum, até mesmo com a Igreja ensinando que a Terra era redonda.


O "mito" da crença da Idade Média em uma Terra plana, originado durante o século XIX, tem dois indivíduos para culpar, agindo quase simultaneamente, mas de forma independente. O francês Antoine-Jean Letronne procurou menosprezar a Igreja Católica em seu estudo de 1834 “Sobre as Ideias Cosmográficas dos Padres da Igreja“, procurando retratar o clero como anticientífico e ignorante.


Enquanto isso, o ensaísta americano Washington Irving, em um esforço para encorajar o "mito" de Colombo, apresentou aos Estados Unidos o conceito errôneo de que os europeus pensavam que a figura folclórica estava agindo em desafio à opinião popular; O trabalho de Irving se tornou um elemento básico do sistema educacional americano, mesmo depois de ter sido amplamente desmentido como incorreto.


A Terra é descrita como uma esfera pelo Venerável Beda (século VII), Roger Bacon (século XIII) e Tomás de Aquino (também século XIII), entre outros. Roger Bacon chegou a adivinhar que o movimento dos corpos celestes influenciava acontecimentos na Terra.


Não foram apenas os grandes pensadores que pensaram assim. O fato de que a forma esférica da Terra foi amplamente aceita é demonstrado pelo uso de orbes como uma parte simbólica dos trajes reais e nas imagens religiosas. Mas claro, os astrônomos medievais não entenderam tudo, porque acreditavam que o que estava girando ao redor da Terra esférica era todo o resto.


II - Arqueiros Tiravam suas Flechas de uma Aljava nas Costas?


Apesar do aparecimento frequente de arqueiros na mídia moderna - de Gavião Arqueiro em Os Vingadores a Legolas em O Senhor dos Anéis - o posicionamento comum da aljava é amplamente incorreto. Ao contrário da crença popular, os arqueiros a pé raramente, ou nunca, sacaram flechas de suas costas. O movimento era desajeitado, adequado apenas para atirar a cavalo, os arqueiros medievais preferiam sacar de uma aljava presa aos cintos, pois facilitava sacar a flecha muito mais fácil.


Os arqueiros medievais também costumavam atirar descalços. Sem a empunhadura de borracha proporcionada pelos sapatos modernos, os cerca de 100 libras que puxam do peso de um arco longo, acaba exigindo o uso ativo dos dedos dos pés para garantir um apoio firme e estável.


Outro coisa muito dita decorrente do arco e flecha é a origem do sinal "V", com a chamada "Saudação de Dois Dedos" amplamente considerada como originada da prática francesa de remover o dedo indicador e médio de arqueiros ingleses capturados para impedi-los de usar arcos longos. Não há nenhuma evidência para apoiar essa afirmação, embora operar um arco longo medieval na verdade exige apenas três dedos, tornando a remoção de dois inconsequentes e contraproducente.


Na verdade, como já falamos em nosso quadro do Instagram Curiosidade Medieval sobre "A vida de um Soldado Medieval" os soldados comuns capturados eram normalmente (nem todos) executados, pois não se tinha um valor de resgate.


III - Os Nórdicos usavam Chifres em seus Elmos?


Em muitas representações populares dos vikings, um tema consistente é onipresente: Elmos com chifres, essa representação tem diminuído nos últimos anos, mas ainda é possível ver os povos nórdicos sendo retratados usando elmos com chifres. Mas claro, não há nenhuma evidência de que os vikings usaram esse tipo de traje. Os vikings raramente usavam elmos, nas raras ocasiões em que o fizeram, acredita-se que geralmente usavam capacetes feitos de ferro ou couro. Os perigos de armaduras pesadas ao viajar por corpos de água abertos são aparentes e, portanto, o clareamento da pessoa em caso de afundamento era vital para a sobrevivência.


Certo, mas de onde surgiu isso? Pois bem, a origem desse "mito" é bem mais recente do que se poderia imaginar, a partir do século XIX. Elmos com chifres existiram durante a Idade Média, surgindo na cultura germânica antiga e se tornando populares em armaduras de torneios.


Inspirando-se nessas tradições alemãs, quando Carl Emil Doepler projetou os trajes para uma apresentação no Festival de Bayreuth da lendária ópera “Der Ring des Nibelungen” de Richard Wagner em 1876, ele decidiu incluir capacetes com chifres para os personagens vikings da peça, isso representaria mais impacto aos espectadores, mostrando força e crueldade. E isso funcionou perfeitamente, a ópera foi um sucesso, e junto a isso levou a representação influente dos vikings se tornando uma parte indelével, embora errônea, da imaginação popular.


IV - A Dama de Ferro


Basta digitar em um site de busca, as palavras "Tortura da Idade Média" ou ainda "Inquisição" imediatamente irá aparecer a conhecida Dama de Ferro, fora supostos Doctor Youtuber's que lançam vídeos a respeito. Pois bem, a Dama de Ferro - uma espécie de cápsula de tamanho humano contendo uma série de espigões internos - é um dispositivo de tortura infame. Selando uma vítima dentro, os espinhos perfuram o indivíduo em lugares não vitais, levando a uma morte lenta e agonizante.


No entanto, apesar de aparecer em vários museus ao redor do mundo, a história do dispositivo é quase certamente fictícia. A primeira referência à engenhoca originou-se do filósofo alemão Johann Philipp Siebenkees no final do século XVIII, detalhando um relato falso sobre a execução de um falsificador de moedas em 1515 em Nuremberg. Seguindo essa história de engano, Matthew Peacock criou uma donzela de ferro no início de 1800 e vendeu sua invenção para um museu.


No século XIX, catalogou-se a Dama de Ferro como instrumento medieval e ela foi exposta em diversos museus pelo mundo. O San Diego Museum of Man e o Museu Universitário de Meiji também a expuseram, mas contraditoriamente um colunista da própria página do San Diego Museum of Man publicou, no dia 25 de Julho de 2012, um artigo chamado 'Medieval Imposter: the Iron Maiden', “A Dama de Ferro, impostora medieval”.


Neste texto, o colunista refuta o suposto uso de tal instrumento em uma execução realizada no dia 14 de agosto de 1515; a narração era um conto, uma fábula, com pouco ou nenhum valor histórico.


Assim declara o Dr. Klaus Graf:


“O objeto de execução, ‘Dama de Ferro’, é uma ficção do século XIX, já que somente a partir do século XIX que as chamadas "rishard cloaks", também chamadas de “damas”, foram providas de espinhos de ferro; deste modo, os objetos foram adaptados para as fantasias terríveis na literatura e nas lendas.”


V - Eles Morriam Jovens?


Uma das percepções mais frequentes da Idade Média é que todos morriam jovens, com um número comum afirmando que 9 em cada 10 pessoas morreram antes dos 40 anos. Embora isso seja indiscutivelmente verdade, até certo ponto, com os homens nascidos, por exemplo, entre 1276 e 1300, vivendo apenas uma média de 31/33 anos, essa estatística também é altamente enganosa. A eficácia da medicina era notavelmente limitada, o parto era rotineiramente fatal para as mulheres e as doenças cotidianas de hoje eram terminais para nossos ancestrais. No entanto, é importante reconhecer que esses números são simplesmente uma expectativa de vida média durante a Idade Média e são distorcidos por taxas de mortalidade infantil catastroficamente baixas.


Consequentemente, enquanto a esperança média de vida ao nascer era de apenas 35, isso inclui aqueles que viveram vidas extremamente curtas. Cerca de 25% das crianças não atingiram o quinto aniversário, com cerca de 40% morrendo antes da idade adulta. Como resultado, aqueles que sobreviveram até as idades de 18 a 21 anos normalmente viviam muito mais do que seus 30 anos.


Um membro masculino da aristocracia inglesa, tendo atingido 21 anos, poderia razoavelmente esperar ver seu final dos 60 ou início dos 70 entre 1200-1550, enquanto até mesmo os camponeses poderiam sobreviver até os 50 e até 60 anos. A alta taxa de mortes na primeira infância manipula os dados para induzir uma representação da expectativa de vida muito mais baixa do que aquela desfrutada por aqueles que viveram na Idade Média.



VI - Cintos de Castidade?


É simples, chocante e, em certo nível, divertido, na medida em que retrata as pessoas do passado como excessivamente atrasadas e nós, por extensão, como iluminados e apenas melhores. Também é, muito provavelmente, muito errado, ele é muito difundido, principalmente por páginas e vídeos das supostas "Netas das Bruxas" do século XXI, dizendo que era usado na Idade Média.


Pois bem, quando consideramos as evidências dos cintos de castidade medievais, como Classen fez em seu livro The Medieval Chastity Belt: A Myth-making Process, torna-se claro rapidamente que não há muito disso. Em primeiro lugar, não existem relatos, ilustrações sobre o uso de cintos de castidade, e ainda menos espécimes físicos. E os poucos livros sobre o assunto dependem fortemente uns dos outros, e todos citam os mesmos livros. As referências aos cintos de castidade em textos europeus remontam a séculos, mas até os anos 1100, essas referências eram todas formuladas na teologia, como metáforas para a ideia de fidelidade e pureza. Por exemplo: Uma fonte latina adverte:


“Virgem honesta” a “segurar o capacete da salvação em sua frente, a palavra da verdade na boca...amor verdadeiro a Deus e ao próximo no peito, o cinto de castidade no corpo”

Possivelmente as virgens que seguiram esse conselho andaram por aí usando capacetes de metal e mantendo alguma manifestação física da palavra “verdade” em suas bochechas, como um chumaço de tabaco, além de amarrar em roupas íntimas de metal. Ou, possivelmente, nada disso foi feito para ser interpretado literalmente.


O mais antigo desenho existente de um cinto de castidade apareceu em 1405, em um trabalho de engenharia militar chamado Bellifortis, entre projetos detalhados de catapultas, armaduras, dispositivos de tortura e outros instrumentos de guerra.


Embora o cinto de castidade seja retratado com muitos detalhes, ninguém jamais encontrou um exemplo físico que datasse desse período. Somente no século XVI, o cinto de castidade começou a aparecer com mais regularidade em ilustrações, gravuras e xilogravuras.


VII - Na Idade Média só Bebiam Vinho e Cerveja ao invés de Água?


Uma das coisas mais comuns sobre a Idade Média diz que as pessoas naquela época só bebiam cerveja e vinho ao invés de água. Supostamente, isso acontecia porque a água naquela época era geralmente muito perigosa para ser bebida com segurança, já que frequentemente estava contaminada com patógenos mortais. Isso não é verdade. Na época medieval, por exemplo, a água era a bebida mais popular - como o foi em toda a existência da humanidade - e o motivo era obvio, pois era uma bebida gratuita.


É verdade que as pessoas na idade média não tinham os tipos de tratamento de purificação de água que a água que sai de nossas torneiras costuma fazer hoje em dia. A contaminação era uma preocupação, com certeza, mas os povos medievais - como todos os humanos desde que nossa espécie começou a andar eretos - sabiam o suficiente para detectar e evitar água obviamente contaminada.


Em suma, as pessoas no passado tinham bom senso e conhecimento comum o suficiente para saber que água pantanosa, lamacenta e turva não era boa para beber.


VIII - As armaduras medievais eram pesadas?


Apesar de parecer pesada, a armadura de placa medieval não era um obstáculo incômodo para o combate. Ela foi projetada para proteger, assim como também ajudar na locomoção e agilidade, podendo cobrir todo o corpo do pescoço aos pés, uma armadura de chapa de aço pesava entre 15 - 30 kg - muito menos do que o equipamento de um bombeiro moderno e comparável ao de um soldado moderno.


Além disso, no final da Idade Média, a placa não era um acessório excepcionalmente raro para um soldado usar em batalha. Na verdade, cerca de 50 - 60% dos exércitos franceses durante o século XV lutaram a pé usando armadura de placa completa, como fizeram os ingleses na Guerra das Rosas. As razões para esse equívoco proliferar na cultura moderna são triplas. Em primeiro lugar, as armaduras que sobreviveram em boas condições para serem preservadas em museus são aquelas de qualidade particularmente alta. Em segundo lugar, a obra-prima cinematográfica “Henrique V”, de Laurence Olivier, de 1944, defendeu esse "mito" contra o conselho dos conselheiros históricos do filme, cimentando a noção em nossa imaginação.


E, finalmente, a “armadura de torneio” era de fato excepcionalmente pesada e altamente ornamentada; consequentemente, é a armadura de torneio que é comumente exibida em museus, em vez de armadura de combate. Esses trajes pesavam de 50 kg (ou um pouco mais) e precisavam ser travados para evitar que o combatente desabasse sob o chão com impacto desajeitado.


IX - Eles eram Fanaticamente Religiosos?


Pessoas extremamente religiosas eram bastante comuns no período medieval, desde aqueles engajados em peregrinações em massa, flagelantes, místicos e santos. No entanto, isso não significa que todos na Idade Média eram obcecados por religião. Nem significa que as pessoas naquela época não se engajaram em uma reflexão cética.


Havia muitas pessoas comuns que não acreditavam em uma variedade de crenças comuns. Seu ceticismo variava de duvidar se os santos realmente faziam milagres, a não ter certeza se o milagre da Eucaristia era real, a questionar se realmente havia uma ressurreição e vida após a morte. Outros nem mesmo acreditavam que Deus tinha algo a ver com a natureza e o crescimento das safras e plantas. Em vez disso, eles atribuíram essas coisas à simples mecânica de trabalhar e cuidar do solo.


Muitas pessoas - às vezes a maioria - expressaram seu ceticismo simplesmente ficando longe da igreja. Por exemplo, um padre espanhol escreveu a seu bispo no início de 1300, reclamando que quase ninguém se incomodava em comparecer à igreja no domingo. Em vez disso, as pessoas preferiam passar o dia de descanso dormindo ou se divertindo.



X - Eram Obcecados pela Caça as Bruxas


Um estereótipo comum sobre o período medieval - (Principalmente de páginas nas redes sociais das supostas netas das bruxas que não conseguiram queimar).


Gira em torno da suposição de que foi uma era de superstição generalizada, durante a qual as autoridades da Igreja estavam queimando as bruxas à esquerda, à direita e no centro.


Embora seja verdade que as pessoas na Idade Média eram extremamente supersticiosas, especialmente quando comparadas à era moderna, suas superstições não encontraram expressão na caça às bruxas. Com certeza, havia alguns julgamentos de curandeiras naquela época, mas eram relativamente raros. Quando aconteciam, geralmente eram feitos pelas autoridades seculares e não eram dirigidos pela Igreja. Na verdade, durante a maior parte da era medieval, a mensagem padrão disseminada pelos clérigos a respeito da magia era que era um disparate tolo que não funcionava. A mania das bruxas europeias foi mais um fenômeno dos séculos XVI e XVII.


Ele começou depois que Heinrich Kramer escreveu Malleus Mallificarum no final do século XV, em uma tentativa de convencer um público descrente de que as bruxas eram reais. Quando foi lançado, a Igreja realmente condenou o livro e alertou os inquisidores para não acreditarem no que ele dizia, sendo até colocada no INDEX.


XI - Eles não Usavam Talheres


Embora geralmente imaginemos nossos ancestrais arrancando barbaramente a carne do osso com as mãos, a verdade sobre o jantar na Idade Média é mais civilizada. As colheres estão entre os utensílios mais antigos fabricados pelo homem. Evidências arqueológicas já em 1000 AEC no Egito Antigo sugerem a existência de colheres de marfim, madeira e ardósia, enquanto colheres feitas de bronze e prata foram descobertas nos territórios dos Impérios Grego e Romano.


Documentado pela primeira vez na Idade Média em 1259, listado em um itinerário das posses de Eduardo I, o uso do instrumento havia se tornado suficientemente difundido que no período Tudor era costume presentear uma criança batizada com o presente de uma Colher do Apóstolo.


Da mesma forma, as primeiras bifurcações conhecidas originaram-se do Egito Antigo, mas também apareceram na China, que proliferaria o dispositivo ao longo da Rota da Seda para o mundo ocidental. Gravado durante o século XI em Veneza, um debate grassou na cidade italiana sobre a questão de se usar talheres era um ato de desafio a Deus, pois “Deus em sua sabedoria deu ao homem garfos naturais - seus dedos”.


Apesar dessa breve turbulência religiosa causada pelos talheres modernos do século XIV, era comum nos lares europeus, evidenciada pela alteração nos restos dentários à medida que a sobremordida se desenvolveu para compensar o uso de garfos de mesa.



XII - A Europa era homogeneamente Branca?


Quando o autor George RR Martin foi criticado por retratar sua reprodução de fantasia da Europa Medieval como esmagadoramente branca, o autor respondeu que sua criação “análogo de fantasia das Ilhas Britânicas em seu mundo” e era historicamente precisa. Apesar de ser uma ideia amplamente difundida da Europa, considerada apenas como uma diversificação nas últimas décadas, a Europa sempre foi, na verdade, um caldeirão de diversidade demográfica. A raça não era vista conceitualmente da mesma maneira que grande parte da humanidade o faz hoje, com a escravidão racial ainda não introduzida e, embora existissem tensões e discriminação, as comunidades coexistiam de maneira relativamente pacífica.


Grandes porções da Península Ibérica permaneceram sob controle islâmico, a saber árabe e berbere, durante grande parte da Idade Média, apenas terminando em 1492. Durante todo esse período, judeus, muçulmanos e cristãos coexistiram em toda a Espanha. Quando os judeus foram expulsos da Espanha cristã após a Reconquista, eles migraram por toda a Europa e Norte da África. Enquanto isso, migrantes da Ásia Central, fugindo das hordas mongóis, entraram na Europa Oriental, formando comunidades na atual Rússia, Ucrânia e no Cáucaso. O Otelo de Shakespeare , entre outras obras, faz referência notável à existência de não-brancos em toda a sociedade europeia, com indivíduos como Saint Maurice celebrados apesar de sua diversidade física.


XIII - Eles não Tomavam Banho?


Entre as suposições comuns feitas sobre nossos ancestrais medievais, acredita-se amplamente que eles eram terrivelmente anti-higiênicos. De alegações de que as pessoas preferiam se casar em junho por causa do "banho anual" ocorrido em maio, ao exagero da breve histeria durante a Peste Negra de que o banho abriu os poros e expôs o corpo a miasmas perigosos, essas crenças se enraizaram em nossos entendimentos populares.


Embora não cumprindo os padrões da Idade Moderna, os habitantes da Idade Média eram, de fato, surpreendentemente conscientes de sua higiene corporal. Os cheiros eram considerados um comentário sobre a condição moral de uma pessoa, com odores ruins associados ao pecado e cheiros bons da santidade. Como resultado, saunas públicas e balneários eram ocorrências comuns durante a Idade Média, enquanto os bordéis de Londres exigiam que os clientes tomassem banho antes de entrar. A pessoa rica média desfrutava de banhos regulares em banheiras de água aquecida, enquanto até o campesinato mais pobre podia tomar banhos regulares em tinas com água.


Os manuais médicos frequentemente incluem referências à importância da limpeza individual como um precursor para uma boa saúde, com a Secreta Secretorum apresentando uma seção inteira sobre banhos. As casas de banho também cumpriam uma função social importante, com Carlos Magno supostamente convidando seus filhos, nobres, amigos e até mesmo atendentes para se banharem com ele. A Abadia de Westminster, por um tempo, chegou a empregar um “atendente de banhos” com um salário de dois pães por dia.


XIV - As Pessoas da Idade Média Viviam Embriagados?


Algo muito comum também relatado em filmes, séries de TV, é mostrar uma vida noturna agitada na idade média, onde pessoas passam noites inteiras bebendo em uma taberna, como se não houvesse amanhã, jarros de vinhos com uma tintura parecendo suco Tang, e algumas velas iluminando o ambiente todo, o que não é verdade.


Pois bem, os medievais trabalhavam arduamente para viver, mas quando chegava a noite, era o momento de se recolher, fazer uma última refeição e descansar para o dia seguinte. Para as pessoas modernas, a conectividade e a luz artificial provinda da energia eletrica, tornou muito fácil trabalhar e beber muito além das horas, enquanto nos esprememos freneticamente nas tarefas domésticas, horários e compromissos. Outro ponto importante, as velas tinham um custo, então manter milhares acesas na taberna, seria um tanto caro para o taberneiro, assim como a lamparina. E claro, o vinho era a bebida preferida das classes altas e daqueles que podiam comprá-lo. No entanto, como os antigos gregos e romanos antes deles, os europeus medievais não bebiam seu vinho puro, mas geralmente o misturavam com água para diluir seu teor.


Para aqueles que não podiam comprar vinho regularmente, cerveja eram abundantes e mais baratas. Deve-se notar, entretanto, que a cerveja naquela época tinham um teor alcoólico significativamente mais baixo do que as bebidas atuais. Além disso, considerando os longos dias e o trabalho árduo que os trabalhadores medievais trabalhavam, seja nos campos, nas lojas ou em outro emprego, cerveja a faziam mais do que apenas matar a sede. Eles também forneceram uma ingestão significativa de calorias ao longo do dia para mantê-los funcionando.


Pode ser difícil explicar a um visitante medieval por que ainda estamos trabalhando tanto e bebendo até amanhecer o dia, quando nossa tecnologia deveria estar nos dando mais tempo livre.


XV - Os Medievais não Viajavam?


Costuma-se dizer que a maioria das pessoas medievais raramente viajava para longe de onde nasceram. Isso é verdade, principalmente no caso dos camponeses e dos que viviam no campo. No entanto, isso não era exclusivo da era medieval. O mesmo pode ser dito para a maioria das pessoas ao longo da maior parte da história, tanto antes como depois da Idade Média, até relativamente recentemente na era moderna. Isso não deve ser entendido como significando que os povos medievais nunca viajaram: muitos deles viajaram.


Por exemplo, as peregrinações a locais sagrados eram muito populares na Idade Média. Chaucer’s Canterbury Tales (Contos de Canterbury de Chaucer), por exemplo, gira em torno de peregrinos que viajam de Londres para o santuário de Saint Becket na Catedral de Canterbury. Essa foi uma busca sagrada relativamente curta. Outras peregrinações levavam os piedosos a locais sagrados a centenas ou mesmo milhares de quilômetros de distância de casa.


Os comerciantes também viajavam por toda parte para comprar, vender e transportar mercadorias de alto valor. A economia de comércio de longa distância medieval apresentava, entre outras coisas, âmbar e peles do Báltico, especiarias da Índia transportadas através do Oriente Médio, sedas da China.

 

Fonte - Stephen Harris, Misconceptions About the Middle Ages


Are Iron Maidens Really Torture Devices? (livescience.com)


Brian Todd Carey, Joshua B. Allfree, John Cairns, Warfare in the Ancient World


Paul B. Newman, Daily Life in the Middle Ages


Nix Elizabeth, Did Vikings really wear horned helmets?


Revista História Medieval - Vikings - Volume III Ano I


Revista História Medieval - Inquisição - Volume VII Ano I


Stephen Harris e Bryon L. Grigsby Routledge, Misconceptions of the Middle Ages.


L A Gavrilov; N S Gavrilova, The biology of life span: A quantitative approach


Nigel Saul, Cavalheirismo na Inglaterra Medieval


Barnes & Noble Books, O cavaleiro medieval em guerra


Brian Todd Carey, Joshua B. Allfree, John CairnsWarfare in the Ancient World


Kucher, Michael, 'The Use of Water and its Regulation in Medieval Siena', Journal of Urban History, Vol.31: 4


Salzman, James, Drinking water: a history


Squatriti, Paolo, Water and Society in Early Medieval Italy


A. Classen, The Medieval Chastity Belt: A Myth-making Process


Bailey, M. D. (2010). Battling Demons: Witchcraft, Heresy, and Reform in the Late Middle Ages


Bailey, Michael D. (2002). "The feminization of magic and the emerging idea of ​​the witch in the late Middle Ages


The Story of Spoons, Forks and Knives (todayifoundout.com)


Norman Davies, Europe: A History


Medieval pilgrims. Chaucerian Myths


Virginia Smith, A History of Personal Hygiene and Purity


Bert L. Vallee, "Alcohol in the Western World"


Jack S. Blocker et al. (eds.): Álcool e temperança na história.


McGovern, Patrick E. "The Origins and Ancient History of Wine"

4.168 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo

1 Comment


bottom of page